Brasil …. “Não haverá um novo Ayrton Senna.”

Por Carlos Frederico Pereira da Silva Gama.

 

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“Só pode haver um”

 

Desde o falecimento de Ayrton Senna em 1º de Maio de 1994, em Imola, Itália, a Fórmula 1 e o mundo do automobilismo ouviram falar de muitos “novos” Sennas, pretensos herdeiros da coroa do mais rápido piloto de todos os tempos.

 

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“Olha bem com quem vão me comparar, galera ….”

 

Alguns fizeram poles. Venceram GPs. Poucos disputaram o título mundial. E inclusive o venceram.

Todos fracassaram.

Por que?

Vejamos:

 

* Jan Magnussen *

 

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Em 1995, o jovem dinamarquês chegava à F1 com um cartel impressionante: acabara de superar o recorde de vitórias na F3 inglesa. Pertencente a …. Ayrton Senna.

O feito inspirou a lenda Jackie Stewart a fazer a temida comparação com seu desafeto brasileiro.

Hoje Magnussen é lembrado como o jovem pai do boquirroto segundo piloto da equipe Haas.

Ayrton não era Ayrton apenas nas categorias de base. Na F1, soube superar os próprios limites. Essa luta incessante ocuparia toda sua vida, apressando seu fim.

Já Magnussen teve sua trajetória abreviada pela escalada de expectativas.

 

* Rubens Barrichello *

 

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O melhor piloto brasileiro após a Era Nélson Piquet (Novembro/1991 em diante) foi imediatamente transformado (pela mídia) em herdeiro de Senna, após o trágico fim de semana em Imola. Ambos sofreram graves acidentes, mas apenas um voltaria ao cockpit na etapa seguinte, Montecarlo. Ambos mestres em corridas na chuva.

Barrichello, porém, se recusou a ser um apêndice do herói morto. Foi fiel a seus próprios passos.

A aura trágica de Senna ganharia, nas mãos de Barrichello, feições humanas. Imperfeições mais nítidas, vitórias menos épicas. E a Ferrari como protagonista de muitas vitórias e alguns vexames.

Com exceção de Hockenheim, 2000 ….

 

* Felipe Massa *

 

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Promissor e arrojado piloto de testes da Ferrari, Massa empolgou a imprensa italiana no começo do século 21 ao rivalizar com os tempos de Michael Schumacher. Um novo herói? Il Nuovo Senna?

Massa venceu 2 vezes o GP do Brasil, fez muitas poles (a última, 2014), disputou o título mundial.

Por 34 segundos, parecia o herdeiro adequado para a cadeira vazia. Ao menos para Galvão Bueno.

Ayrton, porém, não perdia frequentemente para companheiros. Com exceção de …. Alain Prost.

Já Massa foi superado por Nick Heidfeld, Giancarlo Fisichella, Kimi Raikkonen (2 vezes), Fernando Alonso (4 vezes) e Valtteri Bottas (3 vezes). Em 2017, Lance Stroll ameaça se juntar a essa lista.

 

* Bruno Senna *

 

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O filho de Viviane Senna Ayrton foi conduzido à F1 com a pompa de um futuro astro. Mesmo sem ter conquistado nenhum título no automobilismo.

A mídia apostou na analogia familiar. Bruno se deixou fotografar pilotando os carros do tio.

A comparação parou no sobrenome. Bruno não era bom de chuva e ficou atrás dos companheiros.

Pilotos como Pastor Maldonado, Vitaly Petrov e Karun Chandhok fizeram “Bruninho” penar.

Na Fórmula E, o piloto mantém discreta carreira, longe das conquistas.

Em 2015, ajudou o filho de Nélson Piquet a se sagrar o primeiro campeão da nova categoria ….

Ao contrário de Magnussen, “Bruninho” foi vítima das expectativas nostálgicas de seu sobrenome.

 

* Felipe Nasr *

 

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O último brasileiro a chegar à F1 foi o último a chegar com a expectativa de ser Der Neue Senna.

Bons desempenhos nas categorias de base, o apoio de importante banco brasileiro. E que mais?

Apesar dos bons desempenhos (inclusive na chuva de Interlagos) e de vencer o companheiro endinheirado nos dois anos em que esteve na Sauber, Nasr pouco fez para fazer jus à comparação.

Atualmente fora do grid, Nasr busca um cockpit, sem que alguém ouse lembrá-lo de comparações.

 

* Lewis Hamilton *

 

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O último dos herdeiros oficializados pela família Senna foi o único candidato a ser campeão mundial – e 3 vezes, como o próprio Ayrton. O Bad Boy da Mercedes venceu mais GPs do que seu ídolo de capacete amarelo. Inclusive em pista molhada. Mais importante: superou o recorde de 65 poles position no ano de 2017. Em breve, será o piloto com mais poles da história da F1.

Hamilton fez essas façanhas correndo a carreira toda com motores Mercedes e em equipes de ponta (além da fábrica alemã, a McLaren de Ayrton, só que pintada de cinza, vermelho e preto).

Esse dado crucial separa sua brilhante trajetória e a de Ayrton, que penou durante muitos anos com equipamento pouco competitivo ou de durabilidade questionável. Mesmo assim, fez história.

Não tinha carro suficientemente ruim para impedir que ele fizesse poles position (como a de Adelaide, 1993) ou para disputar a vitória até o fim em condições desfavoráveis (Mônaco, 1984).

Hamilton, um piloto brilhante, um dos melhores de sua geração. Ayrton era fora de série, da caixa.

 

* Max Verstappen *

 

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Como uma reedição de Jan Magnussen, o filho do presepeiro Jos Verstappen chegou à F1 incensado como futuro campeão mundial. Performances avassaladoras nas categorias de base lhe renderam o temeroso apelido de “Mad Max”.

Na F1, “Mad Max” estreou com uma ultrapassagem quase impossível sobre outro “Neue Senna”, Nasr, na pista predileta de Ayrton, Spa. Bateu muito, causou dor de cabeça aos companheiros de profissão. No fim do ano, estava à frente do talentoso Carlos Sainz Jr. na disputa na Toro Rosso.

No ano seguinte, premiado pelas batidas de Daniil Kvyat, Verstappen chegou à matriz Red Bull.

E venceu na estreia, em Barcelona. O mais jovem vencedor da história da F1.

Ao fim do ano, “Max Max” estava atrás do companheiro sorridente e beberrão Daniel Ricciardo em quase todas as estatísticas. Ficou aquém nos treinos oficiais, o critério #1 de futuros Sennas. O australiano largou mais vezes adiante (inclusive, 9 vezes seguidas) e obteve uma pole position.

Uma performance sensacional no dilúvio de Interlagos reacendeu as comparações ambiciosas.

Entretanto, em 2017, a distância na Red Bull aumentou. Ricciardo chegou a estar 60 pontos adiante, na metade do ano. Além de batidas memoráveis, Verstappen se notabilizou pelas reclamações em relação a seu equipamento. Enquanto Ricciardo se mantém no Top 5, “Mad Max” chegou a estar abaixo da Force India de Sérgio Perez.

Apesar do arrojo e técnica de Verstappen, há um abismo entre as suas performances e o mito brasileiro. Ayrton nunca comeu poeira de companheiros (nem mesmo de Prost) seguidamente. E diante de equipamento problemático, “Magic” respondia superando companheiros e expectativas.

O jovem Max tem tempo ainda para construir a própria trajetória, sem depender das mitologias.

O peso das comparações tem uma dimensão estética. A coisa mais bonita da F1 era ver Ayrton tentando se superar, unido ao carro, se projetando nas pistas. O contraste com os demais é forte.

Não vimos novos Picassos e Van Goghs depois dos originais. Tirando as falsificações. Então ….

 

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